Por Sinvaline Pinheiro, em 12/11/25
Caçula das mulheres numa família de 8 filhos, ela nasceu entre as montanhas e rios da beleza excêntrica do Vão de Almas.
A liberdade de ser criança do mato despertou a observação da vida e a sensibilidade poética. Talvez o vento gravasse seus anseios e os recados logo chegaram...
Momento especial foi quando, aos 6 anos de idade, na escolinha rural, descobriu as primeiras letras, e que juntas formariam palavras para expressar as emoções acumuladas nos dias de vigília às conversas e vivência dos adultos.
A sensibilidade foi aguçada ao descobrir a leitura e lia tudo que estava ao alcance na casinha simples onde morava.
Ainda menina já sabia socar arroz no pilão, quebrar coco, fazer óleo de castanhas, sabão de dicuada e outras tarefas do dia a dia das mulheres Kalungas.
A curiosidade pela leitura e escrita despertou a poesia e nasceram frases da realidade vivida no mundo dos vãos.
O racismo, a labuta diária, bichos, rios e a história kalunga se fez em rimas brotadas das mãos e alma de uma menina sonhadora.
Em Cavalcante, continuou nos estudos e hoje cursa jornalismo em Alto Paraíso, e tem um canal de audiovisual com imagens do cotidiano Kakunga.
Aos 20 anos de idade já é destaque no trabalho, onde mostra o cotidiano de seu povo.
Faz parte da equipe de Comunicação do Encontro de Culturas Tradicionais da Chapada dos veadeiros, local que reconheceu o valor da cultura Kalunga desde a primeira edição.
Alciléia é exemplo da resiliência de um povo lutador que desafia o progresso mantendo a preservação do território e da cultura Kalunga.
Alta, elegante e cheia de cores, poesia na alma e um sorrisão, ela segue de câmara na mão registrando histórias e amadurecendo sonhos...
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