XXII Encontro de Culturas Tradicionais da Chapada dos Veadeiros
De 15 a 30 de julho de 2022
É tempo de aquilombar-se!

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Os encontros e a fé ao Divino Espírito Santo

Por Magali Colonetti | Foto: Mariana Florêncio, em 27/07/22

Aos poucos a Praça do Encontro foi ganhando cor com os enfeites feitos com papel crepom para a decoração para o Império do Divino Espírito Santo. O preparo já começou antes do meio-dia. Uma mesa cheia de pães, bolos e biscoitos também foi montada para receber os foliões devotos do divino. É dia de festa no XXII Encontro de Culturas Tradicionais da Chapada dos Veadeiros para o povo Kalunga e eles cuidaram de cada detalhe. 

Quando todos estavam prontos, Adão Moreira Paz carregou a bandeira do Divino Espírito Santo abrindo espaço para o Imperador e os anjos. Neco ia ao lado levando o facão. Logo no início do cortejo eles se encontraram com o Grupo de Suça Benvinda, de Natividade no Tocantins. Após comprimentos e reverências, seguiram juntos pelo cortejo. O encontro pela fé ao Divino Espírito Santo aconteceu também com o Grupo de Suça da Mãe Ana, também de Natividade, representado por Felisberta Ferreira da Silva. 

O cortejo seguiu pelas ruas da Vila de São Jorge com o Imperador e os demais integrantes da realeza separados dos demais foliões por varetas enfeitadas formando um quadro ao redor deles. Ao retornarem para a pracinha, mais uma vez os grupos se cumprimentaram e depois seguiram direto para a capela fazer alguns rezos. As rezadeiras puxaram uma ladainha de Nossa Senhora e alguns benditos, tradicionais cantos em que a oração é feita em forma de música. 

Após a reza, os tambores começaram a tocar e as saias rodaram ao dançar a sussa. O Imperador e os demais integrantes da realeza sentaram à mesa e assistiram tudo. Juntos com Adão e Neco, estavam Jacinto, o representante do Imperador, e as crianças que foram os anjos: Wellinton, Josiane e Ayla Vitória. Antes de começar a refeição, Felisberta do grupo de suça da Mãe Ana compartilhou alguns presentes. Segundo ela essa é uma tradição e ela fez questão de compartilhar pães, sal e água benta. "Na nossa comunidade nós seguimos o lema 'Dê a comer quem tem fome, e dê a beber quem tem sede'", contou. Para as mulheres que pegavam o sal grosso ela explicava que elas poderiam fazer o que quisessem. "Pode fazer um banho, pode comer um pouquinho por vez, pode colocar embaixo da língua… o que vocês quiserem".