XXII Encontro de Culturas Tradicionais da Chapada dos Veadeiros
De 15 a 30 de julho de 2022
É tempo de aquilombar-se!

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Depois de dois anos, indígenas assistem o resultado de produção na XIII Aldeia Multiétnica

Por Magali Colonetti | Foto: Diogo Zaiden , em 17/07/22

A ideia: realizar uma intervenção artística unindo as etnias participantes da Aldeia Multiétnica de 2019. O resultado: a formação de uma orquestra com os cantos e instrumentos musicais de cada povo junto com as caixeiras da Casa Fanti Ashanti (MA), a maestra Renata Amaral e o produtor musical André Magalhães.

O ir além: a possibilidade de realizar um filme mostrando todo esse processo. "O filme é fruto de um processo na Aldeia e ele não estava previsto, mas vimos o quanto de material tínhamos", contou o diretor Pedro de Castro Guimarães momentos antes da exibição do filme “O DESTINO ESTÁ NA ORIGEM” para quem faz a Aldeia Multiétnica - indígenas, produtores, organizadores, comunicadores e pessoas que participam das vivências no evento. 

Anuiá, do povo Amarü Kamayurá do Alto Xingu (MT), falou sobre como gostou de viver uma experiência importante ao aprender a cantar com os outros indígenas. "Aqui a gente se encontra como família. Então é bom cantar com nossos parentes. Foi uma experiência muito rica pra mim. Eu aprendi e quero aprender mais". Liderança de seu povo, também falou sobre as preocupações, perdas de familiares durante a pandemia e os desafios que os povos do Alto Xingu e os Guaranis Mbyá do Mato Grosso vem passando. "O mundo está gritando, a Mãe Terra está doente. Então não é só cantar, é chamar a Mãe Terra". 

A residência artística reuniu quase uma centena de cantores dos povos do Alto Xingu (MT), Fulni-ô (PE), Guarani (SP/SC), Huni Kuin (AC), Maxakali (MG), Karajá (GO/TO/MT), Kariri-Xocó (AL/DF), Krahô (TO). A maioria dos participantes estava presente ali e as palmas no final do filme deram uma ideia de como o povo recebeu e sentiu o documentário.

A seleção para o 50° Festival de Cinema de Gramado. 

Dias antes da Aldeia Multiétnica começar, a notícia da seleção do filme para o 50° Festival de Cinema de Gramado chegou. "Foi um filme muito experimental por estarmos com a ideia de produzir algo musical e não cinematográfico. Finalizamos ele durante a pandemia e começamos a inscrever para alguns festivais. Ele ter parado em Gramado fortalece o movimento que fazemos para a aldeia e os povos indígenas", reforçou Juliano George Basso, coordenador geral da Aldeia Multiétnica. Ele ainda completou a importância de dar visibilidade para esses povos. "É importante para fortalecer a arte e as formas de expressão que permeiam os povos originários. O filme também traz o universo africano tão presente no Brasil fortalecendo a linguagem de diversidade que temos, mas com foco nos indígenas".

A exibição do filme foi feita internamente, dando uma devolutiva do trabalho que foi realizado em 2019 aos povos participantes. Agora a organização da Aldeia Multiétnica aguarda as avaliações do 50º Festival de Cinema de Gramado

Este filme foi realizado com recursos da Lei Aldir Blanc e é uma realização do Ministério do Turismo da Secretaria Especial de Cultura do Governo Federal, Governo de Goiás e Secretaria de Estado de Cultura de Goiás