XXII Encontro de Culturas Tradicionais da Chapada dos Veadeiros
De 15 a 30 de julho de 2022
É tempo de aquilombar-se!

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Em oficina, Dona Cecília compartilhou sua sabedoria sobre ervas e garrafadas

Por Magali Colonetti | Foto: Mariana Florêncio, em 30/07/22

"Eu não faço remédio fraco, todos eles têm uma função e uma quantidade certa. Paulada fraca não mata cobra", falou dona Cecília assim que começou sua oficina sobre as Plantas Medicinais do Cerrado e o feitio de garrafada. De frente a uma mesa cheia de folhas, cascas, raízes e plantas em pó, ela fez uma garrafada para a saúde da mulher. A cada erva que colocava na garrafa pet de 2 litros, ela explicava o porquê e para que servia. Ela ensiou que chá de carrapicho é bom para infecção urinária, Manacá desintoxica o fígado e o chá de casca de sucupira é bom para fazer gargarejo para a garganta. "Não é pra tomar, só para fazer gargarejo. Mas se engolir não morre não", falou rindo. Nessa aula especial para o XXII Encontro de Culturas Tradicionais da Chapada dos Veadeiros, ela contou que as garrafadas que faz sempre tem mais de 50 plantas. "É a união das químicas naturais e que faz o remédio funcionar. Se beber do jeito que ensino, não tem um que não volte e não diga que está curado", afirmou. 

Dona Cecília Gonçalves dos Santos é do povoado de São Domingos, do município de Cavalcante, Goiás. Tudo que aprendeu foi com sua mãe e diz que até hoje ainda não usou tudo o que aprendeu. Assim como aprendeu, ela gosta de ensinar e ficou feliz ao ver tanta gente interessada. Assim como sua mãe fez, ela repassou seu conhecimento para uma das cinco filhas que tem. "Ela é a única interessada, a mais nova ainda gosta, mas agora está na universidade. Mas eles todos usam meus remédios. Se eu chegar a morrer, hoje tem alguém que sabe", contou. Giovana Gonçalves dos Santos, a filha de Cecília, estava ali junto com ela e também ensinou uma garrafada. A mistura de ervas dessa vez foi para quem tinha gastrite.