XXII Encontro de Culturas Tradicionais da Chapada dos Veadeiros
De 15 a 30 de julho de 2022
É tempo de aquilombar-se!

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Maria Gadú e encontros musicais na Aldeia Multiétnica

Por Magali Colonetti | Foto: Rafael Camargo, em 24/07/22

"É um prazer apresentar minha voz nesse palco sagrado onde aconteceu tanta coisa fantástica. Hoje foi um dia feliz."

Foi assim que Maria Gadú iniciou seu show na Aldeia Multiétnica, marcando o início da transição dos dias de vivência da XIV Aldeia Multiétnica para os dias na Vila de Jorge.

Quando ela falou em coisas fantásticas, ela se referiu às apresentações dos povos Kayapó Mebêngôkre, Kariri-Xocó, Fulni-ô, Guarani-Mbyá e dos povos do Alto Xingu que a precedeu. Ela pode ouvir a cantora Tainara, Guarani Mbyá, cantar Shimbalaiê em Guarani.

Momentos antes do show Tainara estava muito empolgada com sua apresentação e a possibilidade de ouvir Maria Gadú cantar essa música ao vivo pela primeira vez. Mal sabia ela que essa música, neste show, seria cantada pelas duas e em sua maioria em Guarani. "Como que vou cantar essa música em português depois que a Tainara cantou ela em uma língua originária? Tainara, me ajuda aqui!". E foi assim que ela surgiu correndo para subir ao palco mais uma vez e cantar sua música preferida. 

Os encontros nortearam esse show, sejam eles presenciais, como foi o caso de Isadora, do povo Maxacali, ao cantar Dona Cila e dedicar à todas as ancestrais. "As que vieram antes, que sustentam nosso caminhar, elas que estão aqui o tempo todo para nos guiar".

A noite também foi de encontros que aconteceram nos últimos anos, quando Maria Gadú passou a se dedicar também ao ativismo socioambiental. Ao visitar algumas aldeias e conhecer os povos indígenas, esses encontros geraram músicas e algumas delas foram cantadas nesse show. Um exemplo é a música da sua série de quatro capítulos no YouTube "O Som do Rio" em parceria com Val Munduruku que foi lançada recentemente.

A vivência com os povos a faz cantar em línguas originais e lembrar sobre as lutas que esse povo tem. Como ela mesmo disse, lutas por coisas simples, tão óbvias e tão simples. "Estou muito grata por ter aprendido muito nessa luta ao lado dos indígenas." 

Já sobre suas músicas mais antigas e super conhecidas do público, ao cantar "A Capela" sem o auxílio do seu violão que parou de funcionar nessa música, ela mostrou toda sua potência vocal e seu expressar, fazendo deste um dos momentos mais aplaudidos do show.