XXII Encontro de Culturas Tradicionais da Chapada dos Veadeiros
De 15 a 30 de julho de 2022
É tempo de aquilombar-se!

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Owerá e o poder da rima na luta indígena

Por Magali Colonetti | Foto: Rafael Camargo, em 24/07/22

Cada um luta da sua maneira e Owerá tem o microfone como arma nessa luta. O rapper indígena foi uma das atrações principais da noite na abertura do palco do XXII Encontro de Culturas Tradicionais da Chapada dos Veadeiros, que este ano começou com um palco montado no espaço da Aldeia Multiétnica.

Nascido Werá Jeguaka Mirim no povo Guarani Mbyá da aldeia Krukutu, zona Sul de São Paulo, ele canta músicas sagradas do povo Guarani e faz rap para falar da sua ancestralidade ao público. Aos 20 anos ele segue rimando e assume nesse trabalho sua missão nessa luta. "Eu canto para falar sobre espiritualidade e política porque é necessário. Não tem como não falar sobre o sofrimento que passamos na realidade, não falar do que acontece com os povos indígenas", falou durante o show. 

Ele ficou conhecido como o indígena que abriu a faixa Demarcação Já na abertura da Copa do Mundo de 2014, minutos antes da partida de Brasil e Croácia. Depois de todos esses anos ele segue falando sobre demarcação em suas músicas. Uma delas é a Demarcação já Terra Ar Mar em parceria com Criolo: 

"Pra fazer a defesa, eu sei, vai cansar
Mas tenho que lutar
"Demarcação já" para o meu povo se libertar
Sei que nunca vou desistir
Os moleque da aldeia tudo estão aqui
Precisa se alimentar, brincar, correr, amar, nadar
Não foi eu que fiz assim
Eu sou feito de amor
Hoje eu posso sorrir
Meu povo não quer a dor".

Aqui na Aldeia, acompanhado da sua companheira Pará Reté e seu filho Tupã, Owerá fez todos os presentes dançarem e cantarem juntos essas, e outras, palavras que chamam para ação.