XXII Encontro de Culturas Tradicionais da Chapada dos Veadeiros
De 15 a 30 de julho de 2022
É tempo de aquilombar-se!

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Você conhece o Zé Neto ou o Zé na rede? Deveria!

Por Sinvaline Pinheiro | Foto: Raissa Azeredo, em 22/07/22

Por séculos houve a tentativa de apagar a história dos povos tradicionais, sendo moldada a satisfazer o colonizador. A luta em preservar a cultura sempre foi forte entre indígenas. Etnias  diferentes reunidas na Aldeia Multiétnica sempre afirmam que a espiritualidade é o principal arma de resistência. José Edilson Oliveira Neto é um jovem de 29 anos de idade com uma história de garra em busca das raízes indígenas do seu povo, de Jabaroca, uma comunidade no Estado Pará, perto da cidade de Capanema.

Resistindo desde o ventre da mãe, quando a avó fez várias garrafadas para segurar a gravidez após já ter perdido 2 filhos, sobreviveu e se mostrou uma criança observadora e diferente. Na pequena cidade ficou conhecido por " Zé índio", pela fisionamia e modo de vida. Questionador, logo quis saber sobre sua descendência.

José índio? Mas o questionamento à familia era encerrado no silêncio.

A escola foi o caminho para conhecer diferentes culturas, e ainda mais com a oportunidade de estudar no Rio e lá descobrir aos poucos mais diferenças linguísticas e costumes até então desconhecidos. Um novo mundo se abriu e o Zé índio voou.

Em Belém fez Engenharia de produção e surgiu a oportunidade de estudar em Chicaco, nos EUA. Foi uma experiência maravilhosa, segundo ele. Em 14 meses coheceu o tempo das estações diferentes.

Após um tempo indagando formas e costumes voltou para o Brasil, firme no propósito de resgatar sua origem e fortalecer a identidade. Mas queria ouvir da família, principalmente do avô, um pouco da sua história.

Após muita insistência, o avô começou a falar sobre a origem e a espiritualidade. As longas conversas ao pé do fogo trouxeram a afirmação que ele sempre soube: era um indígena Tupinambá.

 Abriram-se as portas e ele soube realmente que essa espiritualidade fazia parte de sua vida. Assim se tornou pesquisador da sua história.

Através do trabalho viajou para comunidades do Acre, Amapá, Amazonas, Pará, Maranhão e Mato Grosso. Essa vivência despertou o desejo de difundir sobre o conhecimento da diversidade da grande Amazônia.

Desse trabalho, nasceu a página @zenarede que detalha o que é realmente a Amazônia e a vida que nela habita. Em fotos, ilustrações e textos rápidos ele consegue levar a milhares de internautas as diferentes vidas e costumes da grande Amazônia.

A insistência em conhecer as raizes, a luta pela sobrevivência, o amor às raizes e o conhecimento de povos e culturas diferentes foi uma grande formação. Para ele, a escola da vida foi e é mais importante que a acadêmica.

Essa busca incessante por suas raízes, conferiu a ele a certeza de que a espiritualidade tem o poder de manter os povos unidos. Na Aldeia Multiétnica, Zé na Rede se sentiu em casa e entre "parentes" trocando experiências e muita espiritualidade.