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Foto: Julio Cesar Mahr |

Você conhece o Congo de Niquelândia?

POR Encontro de Culturas 24/06/2020

De acordo com os congadeiros, em Niquelândia, a tradição da congada nasceu no quilombo Xambá, onde viviam negros fugidos das senzalas de Vila Boa (Cidade de Goiás), Meia Ponte (Pirenópolis) e São Félix (Cavalcante). O grupo homenageia Santa Efigênia, a protetora do município. Registros apontam que a santa era uma negra, foi escravizada e, depois, atirada em uma fogueira. Para os devotos e participantes da congada, ela é uma rainha.

FESTEJOS

Tudo começa com a capina do largo. Em seguida, são realizados o levantamento do mastro da santa, o cortejo, a procissão, as missas e almoços de confraternização oferecidos pela imperatriz e o imperador de Nossa Senhora do Carmo. A organização fica por conta dos chamados festeiros, responsáveis pelo preparo da festa.  Ao todo, são cinco festeiros de Santa Efigênia e cinco de Nossa Senhora do Carmo. A congada “trabalha” para as Santas, cantando e dançando, em uma formação fixa, constituída por duas filas paralelas, na rua e nas casas dos festeiros e promesseiros.

Valdivino Fernandes, 49 anos, capitão do grupo há mais de dez, conta que até pouco tempo atrás, antes de assumir o comando do grupo, os brancos não podiam participar da congada. Apenas os que desejavam pagar uma promessa feita à santa eram aceitos, mas assim que a promessa era paga, eles precisavam sair.

“A característica do congo chama-se negro. Hoje não, mas quando eu comecei nas congadas, há quarenta anos, não tinha participante branco. Se a pessoa tivesse alguma promessa a pagar, ele tinha que dar muita sorte de os outros deixarem ele entrar na congada. Só que entrava, pagava sua promessa e saía. Mas aí as coisas foram mudando aos poucos. Quando eu entrei para ser capitão, há dez anos, eu achava que Santa Efigênia era negra, mas os milagres dela eram pra branco e pra negro. Aí, quando a congada passou a ser comandada por mim, eu disse: eu não acredito que Deus seja só para os pretos, tem que ser para os brancos também. Pra mim não existe isso de preto e branco, todos são iguais. Hoje em dia não importa se é branco ou preto. Se gostou, se tá fazendo direitinho, pode continuar no grupo.” (Valdivino Fernandes, capitão do Congo de Niquelândia).

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