XX Encontro de Culturas Tradicionais da Chapada dos Veadeiros
De 25 de Julho a 23 de Agosto de 2020

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Vida em movimento com a Técnica Silvestre

Atabaque e violino. A combinação pouco usual de instrumentos deu o tom da oficina Técnica Silvestre – Dança dos Orixás, de Rosângela Silvestre, no XVII Encontro de Culturas Tradicionais da Chapada dos Veadeiros. Buscando expressão e significado para os movimentos que propõe, ela também fez uma performance no palco principal na noite da sexta-feira, 28 de julho, apresentando sua dança, que une elementos africanos, clássicos e contemporâneos.

A bailarina, coreógrafa e professora conta que suas aulas são diferentes a cada encontro, variando de acordo com o momento e os participantes. “Minha oficina é uma criação conjunta, que nasce junto com os alunos. Cada aula, cada processo, se desenvolve de um jeito diferente, é uma criação constante”, explica. Rosângela defende que cada pessoa se expressa de uma forma diferente. Sendo assim, a aula também não pode ser padronizada. “Fiz coisas hoje que nunca tinha feito. Teve gente que se emocionou e chorou, teve gente que sorriu... Eu fico atenta às reações e a como guiar isso”, fala.

E se a aula é criada a cada dia, a música acompanha o mesmo movimento. A composição também vai surgindo durante a aula, de acordo com os caminhos que ela segue. “Eles percebem o movimento e sugerem a música”.

Rosângela prefere não nomear muitas referências, pois “a dança é o movimento da vida”, como diz. “O que trago são sugestões de movimento para resgatar nossa memória ancestral”. Ainda assim, os elementos da dança africana são muito fortes para passarem despercebidos. “Eu me inspiro nos gestuais e na simbologia da religião do candomblé, mas são símbolos que vibram na vida, não os utilizo de forma religiosa”. 

Os elementos naturais também são muito usados para inspirar os movimentos, pois, como diz Rosângela, estão em nós. “A maior parte do nosso corpo é água. Nosso equilíbrio vem do contato com a terra, o chão. O calor do nosso corpo é fogo. Nós respiramos o ar”, associa a bailarina. E finaliza: “a oficina é uma porta aberta para a pessoa experienciar a dança, dançar com o outro, com a memória, com os elementos. Dançar a vida.”