XX Encontro de Culturas Tradicionais da Chapada dos Veadeiros
De 25 de Julho a 23 de Agosto de 2020

Notícias

Boca do Lixo em São Jorge

Um casal de palhaços e seu filho de 2 anos encantaram a criançada na noite de sexta-feira, 28 de julho, com a apresentação teatral Boca do Lixo, na Praça do Artesão, em São Jorge. Utilizando instrumentos musicais e o cenário a partir da reciclagem do lixo, os palhaços caipiras e cancioneiros do Goiás contaram histórias do folclore brasileiro, envolvendo temáticas ambientais. Interagindo com o público a todo instante, os artistas de rua também contam com um acordeão para alegrar as brincadeiras.  

O grupo de Anápolis surgiu no próprio Encontro de Culturas, primeiro com o nome de Boca a Boca, que saia em cortejo pelas ruas da vila de São Jorge, utilizando o lixo do festival para fazer os instrumentos de percussão e máscaras de papelão. É neste contexto que nasce, em 2006, o Boca do Lixo, que se apresenta hoje em diversas cidades. Utilizam a anta como símbolo do grupo, em referência ao animal extinto em sua região e o antigo nome da sua cidade.

O pequeno Benjamin, de apenas 2 anos, foi a sensação do espetáculo. Ele também interage com o público e toca bateria, além de outras brincadeiras, com seu pai, o palhaço Zeck Mutamba. Outras crianças, filhas de pessoas do grupo ou de amigos, também participam da plateia. Com músicas regionais, danças e brincadeiras, eles contaram a história do Bumba Meu Boi, que neste caso foi simbolizado na fantasia de uma anta, em homenagem ao Cerrado. O brinquedo traca-traca dobradinha, que utiliza peças de madeiras encaixadas maleavelmente, também foi utilizado nas brincadeiras, criando formatos de bichos para as crianças identificarem.

De acordo com Amanda Ricoldi, conhecida por Palhaça Seriema, hoje o grupo trabalha em vários peças de teatro e festivais de circo, além de ser contratado por empresas. A ideia é transmitir a educação ambiental de forma lúdica.

“O Encontro de culturas faz parte da nossa história, essa manifestação cultural maravilhosa.  Trabalhamos com esse alerta da proliferação de lixo, pregamos o desconsumo. O circo e a música são as duas ferramentas de trabalho, pois a música tem o encantamento e o circo tem a ludicidade. E a gente enfatiza muito o bioma Cerrado, porque é o mais importante berço das águas. As pessoas não conhecem. Elas olham para o pasto e não sabem que tem uma vegetação abundante e animais no bioma”, complementa Amanda.