
Luiz Rufino é escritor, professor da UERJ e do Programa de Pós-graduação em Educação, Cultura e Comunicação em Periferias (PPGECC-UERJ), e desenvolve pesquisas sobre educação, cultura e brasilidades. É autor de diversos livros, entre eles Pedagogia das Encruzilhadas, Vence-demanda: educação e descolonização, Ponta-cabeça: educação, jogo de corpo e outra mandingas, Cazuá- onde o encanto faz morada, Tambor Encanto de Ibejis e entre outros.
Pedagogia das Encruzilhadas
A encruzilhada é a boca do mundo, é saber praticado nas margens por inúmeros seres que fazem tecnologias e poéticas de espantar a escassez abrindo caminhos. Exu, como dono da encruzilhada, é um primado ético que diz acerca de tudo que existe e pode vir a ser. Ele nos ensina a buscar uma constante e inacabada reflexão sobre os nossos atos. A presença de Exu como sabedoria praticada nos cotidianos marca a reivindicação da invenção e sustentação de mundos que contrariam à vontade imposta pela dominação colonial. Assim, Exu nos conduz também em uma tarefa educadora, a de responder com vida as formas de violência contraria a ela.
Vence-Demanda: educação e descolonização
A proposta dessa atividade é pensar a educação como força de batalha e cura, uma aposta para afugentar o assombro das injustiças produzidas pelo contínuo colonial. Ao ser despertada pelo ritmo do diálogo, a educação é tratada com respeito e compromisso com as aprendizagens que foram plantadas nessa terra por muitas e muitos que vieram antes. Assim, assume compromisso com a vida e recusa relações que a violentam. Nesse sentido, salta uma questão: qual seria a principal tarefa da educação? A partir da experiência brasileira firmo que a principal tarefa educadora é praticar a descolonização.