
28/07/2007 22:19
Oficina de Brinquedos Populares
Arte criativa
por Arthur Porto, da Agência de Notícias Cavaleiro de Jorge
Não é tão comum, hoje, ver crianças brincando em espaços livres como antigamente. Vídeo games, computadores e televisões passaram a interferir nesse processo de aprendizagem indireta que desenvolve a criatividade e a imaginação. No VII Encontro de Culturas Tradicionais da Chapada dos Veadeiros, a tradição das brincadeira populares foi revivida na oficina ministrada por Walter Cedro, do Ponto de Cultura Invenção Brasileira (DF). Com a ajuda de Wagner Nascimento e Chiquinho Lopes, Walter coordenou a oficina de brincadeiras e brinquedos populares, com cerca de 50 crianças.
A oficina, realizada no espaço Petrobras de 21 a 29 de julho, surgiu com o propósito de fazer com que as crianças valorizassem esse tesouro histórico, transmitido de geração a geração. "Escolhi participar desse trabalho porque sempre fui fã do palhaço mestre Zezito, que infelizmente já faleceu. Acho importante mostrar algo que a maioria das crianças desconhece", explicou o coordenador.
As crianças ficavam atentas para aprender a transformar diversos materiais, como pedaços de madeira, barbante, fita crepe e copos de plástico em brinquedos. O processo de construção fez com que o faz-de-conta se transformasse em algo real e prazeroso.
Telefones sem-fio, óculos e bonecos foram os brinquedos produzidos pela interação dessas crianças, que com o tempo conseguiram entender o significado do trabalho desenvolvido. "Eu venho todos os dias. Já aprendi a gostar dessas novas brincadeiras. Acho que são mais divertidas", afirmou Jeovane Luiz Bailona, 11 anos, participante da oficina.
As matracas, instrumentos de percussão feitos com dois pedaços de madeira, e os chocalhos, feitos com copinhos de plástico ou cabaça, foram os mais comemorados. Ao final de cada dia as crianças saíam desfilando pelas ruas de São Jorge.
A oficina tmabém contou com uma participação especial. O mestre mamulengueiro Zé de Vina, fundador do grupo Riso do Povo e criador de apresentações cheias de histórias improvisadas, ensinou a garotada a manipular marionetes com aulas musicais. "Achei ótimo ensinar para essas crianças um pouco de meu trabalho. Fiquei fascinado com tanta alegria e vontade dessas crianças de conhecer coisas novas", ressaltou o mestre.
Depois de muito ensaio, os participantes da oficina fizeam uma apresentação do bumba-meu-boi. Com fitas coloridas, personagens humanos, animais e fantásticos encenaram uma história que gira em torno da morte e ressurreição de um boi. A idéia foi mostrar que, independente da tecnologia encontrada no mundo atual, a emoçao de brincar com algo produzido com as próprias mãos ainda permanece.
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