
09/07/2007 12:03
Zabé da Loca
A experiência da boa música nordestina
por Luciana Castro, da Agência de Notícias Cavaleiro de Jorge
É com o toque do pife que a pernambucana Isabel Marques da Silva, a Zabé da Loca, de 83 anos, vem encantando todo o Brasil. Aos sete anos de idade aprendeu o manejo do instrumento por influência da família, principalmente de seu pai.
Divulgação

De origem simples, essa senhora analfabeta com costumes rurais recebeu esse nome após perder a casa onde vivia, por falta de condições financeiras, indo morar com a família em uma gruta sob duas pedras, durante 25 anos, na Serra do Tugão - Paraíba.

Por um presente do destino, o Ministério do Desenvolvimento Agrário descobriu o talento de Zabé com o pife, há pouco mais de 3 anos, durante o projeto "Cantos do Semi-Árido". Daí em diante sua vida deu uma reviravolta.
Carreira Seu primeiro CD foi gravado com instrumentos improvisados com cano de PVC, e uma banda formada por parentes e amigos. Mesmo antes de chegar às lojas o álbum já havia esgotado. Hoje, a banda de cinco integrantes é composta por dois pífanos, uma caixa, uma zabumba e um prato. Suas canções são de autoria própria, todas refletindo o cenário das tradições nordestinas, muito conhecidas por Zabé.
Sua carreira cresceu, fazendo shows por todo Brasil, em cidades como Rio de Janeiro, Recife, Fortaleza, Brasília, Olinda e Salvador. Em 2005, teve faixas de seu disco selecionadas para a compilação Nordeste Atômico, do produtor Makoto Kubota, lançado no Japão. Participou do projeto Da Idade do Mundo, dirigido pela produtora Lu Araújo e realizado pelo CCBB de Brasília.
Esse ano ela voltou aos estúdios, com o patrocínio do Programa Petrobras Cultural, para produzir o seu segundo CD, intitulado Bom Todo, que será lançado no mês de setembro.
O VII Encontro da Chapada dos Veadeiros será palco da autêntica música nordestina, bem representada por Zabé da Loca, em um mix de várias canções de seu primeiro CD e um pré-lançamento do próximo.
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O pife
Pífano, pífaro e pife são a mesma coisa. Um instrumento de influência indígena, parecido com uma flauta, feito de taboca, uma espécie de bambu, com sete orifícios, um para soprar e seis para dedilhar. Às vezes também são feitos de canos de PVC ou de canos de metal, mas não têm a mesma sonoridade nem a mesma beleza. Existem duas maneiras tradicionais de tocar esse instrumento: em dueto (dois pífanos), acompanhado do ritmo da zabumba, pratos, caixa e contra-surdo, que são as famosas "Bandas de Pífanos"; e com o pífano solo acompanhado de sanfona, cavaquinho, violão de sete cordas, pandeiro e ganzá.
Fonte:www.raizesdatradicao.uol.com.br |
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